Atuação da Psicologia Comprometida com Povos Indígenas

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As referências técnicas para atuação de Psicólogos (os) junto aos Povos Indígenas, é um documento resultado de reflexões de profissionais da psicologia, tanto indígenas quanto não indígenas. Essas reflexões foram embasadas em experiências diversas, incluindo trabalho em saúde indígena, apoio à implementação de políticas públicas como a educação escolar indígena e assistência social. A abordagem adotada é transdisciplinar, integrando conhecimentos das ciências sociais, e dos saberes tradicionais.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) destaca, ao publicar essas referências, a necessidade de uma nova perspectiva sobre a história dos povos originários do Brasil. Isso inclui recontar essa história sob a ótica dos próprios indígenas, confirmando os processos históricos que geraram e ainda geram violências e traumas nas comunidades. É ressaltada a importância de evitar a generalização das etnias indígenas, considerando suas especificidades, histórias e opiniões individuais bem como a relação dos povos indígenas com a terra e a natureza, que vai além do aspecto econômico e muitas vezes é marcada por traumas decorrentes de mudanças territoriais indiretas. O documento também aponta a falta de priorização histórica das políticas públicas para os povos indígenas.
Portanto, uma abordagem da psicologia junto aos povos indígenas deve estar alinhada com o princípio fundamental do Código de Ética do Psicólogo, que enfatiza a promoção da saúde e qualidade de vida das pessoas e coletividades, e a luta contra todas as formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

COMPROMISSO ÉTICO-POLÍTICO da psicologia comprometida com povos indígenas
Respeito às culturas, crenças e saberes tradicionais dos povos indígenas:
Reconhecer e honrar a diversidade cultural dos povos indígenas, incluindo suas tradições, línguas, práticas espirituais e conhecimentos ancestrais. É importante entender que cada cultura indígena tem suas próprias crenças, valores e formas de ver o mundo, e é essencial respeitar e preservar essa diversidade. Destaca aqui necessidade de evitar impor valores ou práticas culturais externas aos povos indígenas.

Compreensão das questões políticas e históricas relacionadas às populações indígenas:
Isso inclui compreender as lutas dos povos indígenas, as lutas pelas terra, recursos naturais, direitos territoriais, autodeterminação e reconhecimento étnico, além de estar ciente das injustiças históricas e contemporâneas enfrentadas por essas comunidades.
Capacidade de dialogar e compreender as diferentes concepções de saúde e doença de cada povo indígena:

Estar aberto ao diálogo e compreender as visões de saúde e doença de acordo com a cosmovisão de cada povo indígena. Isso pode envolver práticas tradicionais de cura, como o uso de plantas medicinais, rituais espirituais e outras formas de tratamento que são fundamentais para a saúde física, mental, emocional e espiritual dessas comunidades.

Respeito aos diversificados projetos de vida e desenvolvimento das comunidades indígenas:
Isso implica reconhecer e apoiar os projetos de desenvolvimento sustentável e autodeterminado das comunidades indígenas, respeitando suas formas de organização social, economia, educação e governança. Cada comunidade tem suas próprias aspirações e necessidades, e é importante respeitar e valorizar suas escolhas e decisões em relação ao seu próprio desenvolvimento.
Atuação alinhada ao reconhecimento e difusão dos direitos humanos, da justiça social e de uma cultura de paz nas diferentes realidades de atuação:

Envolve promover e defender os direitos humanos das comunidades indígenas, construir junto aos povos indígenas a construção de uma cultura de paz em todas as áreas de atuação do psicólogo. Isso implica em agir de forma ética, solidária e comprometida com a promoção do bem-estar e da dignidade de todas as pessoas, independentemente de sua origem étnica ou cultural.
A referência traz que:
“Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural” (CRP-SP, 2010, p. 22).

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